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26/01/2026
NRF 2026: 12 insights e o plano prático para o varejo executar agora
NRF 2026: 12 insights e o plano prático para o varejo executar agora
Raíssa Filgueira

O “futuro do varejo” acabou, agora é execução
A principal virada da NRF 2026 foi direta: o evento parou de falar de um futuro distante e passou a falar do “agora”. Com IA, o horizonte de inovação encurtou: o que levava anos virou semanas — e empresas que ainda estão “estudando” já competem com quem opera com agentes autônomos, clientes sintéticos e precificação dinâmica.
O recado é duro e útil: a vantagem competitiva pertence a quem executa, aprende e itera — não a quem planeja indefinidamente.
Por que o varejo brasileiro deveria olhar mais para a China (e menos para os EUA)
O material defende uma tese bem provocadora: o Brasil se parece mais com o varejo chinês do que com o americano, porque nosso consumidor é mobile-first, sensível a preço, orientado por conveniência e social-driven.
Na prática, isso puxa prioridades como:
super apps / jornadas integradas (pagamento + comunicação + compra),
social selling e live commerce,
IA embarcada na jornada inteira,
pagamentos simples e rápidos.
Os 12 insights da NRF 2026 (traduzidos para ação)
1) Cliente sintético: pare de observar; comece a simular
“Cliente sintético” é o “gêmeo digital” do seu cliente real, alimentado por comportamento, histórico e preferências — para simular reações a preço, campanhas e jornadas antes de gastar no mundo real.
Aplicação prática: simular cenários (ex.: Black Friday) para descobrir o desconto que maximiza conversão sem destruir margem.
2) Dados deixaram de apoiar a estratégia — eles viraram a estratégia
A NRF 2026 foi explícita: sem dados unificados e em tempo real, você está “voando às cegas” para decidir pricing, sortimento, marketing e operação.
Por onde começar (bem pé no chão): visão 360° do cliente, eliminar silos entre canais e tratar dados como produto.
3) Da cultura do teste para a era da simulação
Testar no mundo real é caro. A evolução proposta: simular milhares de cenários, testar poucos e escalar só o que funciona.
4) Agentic Commerce: seu próximo cliente pode ser um robô
A ideia: o consumidor define critérios (“presente até R$200, entrega em 2 dias”) e um agente de IA pesquisa, compara e compra sem intervenção humana.
Isso muda a descoberta de produto: fica mais algorítmica (reviews, preço, prazo, reputação). A marca precisa ser “legível” para máquinas.
5) Reputação vira um ativo técnico (não dá pra “hackear” com marketing)
Para IA, marca não é logo — é pontuação de confiança baseada em dados objetivos (reviews, entrega, devoluções, atendimento, menções).
A conclusão é quase incômoda: no futuro, a melhor estratégia de marketing é ser uma empresa excelente.
6) Transferência de talento via agentes
“Não contrate pessoas que usam IA — contrate pessoas que transferem talento para a IA.” A tese: capturar o conhecimento tácito dos melhores (ex.: vendedor estrela) e distribuí-lo para elevar a média da equipe.
7) Desconto programático: o cliente quer custo-benefício
O foco sai do “menor preço” e vai para o “melhor negócio para mim”. Entra o desconto programático: ofertas personalizadas em tempo real, com IA calculando o menor incentivo necessário para converter cada perfil.
8) Da personalização para a hiper-relevância
Personalização reativa olha o passado (“você comprou X, toma Y”). Hiper-relevância é preditiva: entender o que o cliente vai precisar e entregar antes.
9) O fim da atribuição de canais
A jornada é caótica e não linear. A provocação: pare de medir canal isolado e pense em presença total (share of attention, frequência e LTV final).
10) IA não veio para otimizar processos — veio para eliminá-los
O salto é trocar “fazer mais rápido” por remover etapas inteiras. O líder sai de 80% execução para 80% pensamento estratégico.
11) Conteúdo + comunidade + educação viram monetização
Serviço é básico; diferenciação sustentável vem de conteúdo que educa, comunidade que engaja e educação que aumenta LTV.
12) “General” (IA) e “Advisor” (humano)
A analogia: IA executa como um general (operação e decisões em milissegundos); humanos viram advisors (julgamento, empatia, relacionamento e decisões complexas).
Plano de execução em 90 dias
Dias 1–30: Fundamento de dados + quick wins
Consolidar uma visão única de cliente (mínimo viável) e mapear silos entre canais.
Padronizar dados de produto (atributos, descrições, entregas, políticas) pensando em “legibilidade para máquinas”.
Criar 2–3 automações que eliminem etapas (triagem, relatórios, segmentação manual).
Dias 31–60: Simulação + desconto programático
Rodar simulações de campanhas (ex.: descontos por perfil) antes do teste real.
Implementar desconto programático com regras simples (VIP / inativo / novo cliente / alto ticket).
Evoluir personalização para hiper-relevância com gatilhos preditivos (ex.: reposição, ciclo de compra, intenção).
Dias 61–90: Agentes + reputação + presença total
Criar um “agente interno” que capture o playbook do top performer (vendas/CS).
Medir e atacar reputação com métricas objetivas (reviews, entrega, devolução, atendimento, menções).
Trocar dashboards de canal por acompanhamento de presença total (frequência + LTV).
O que a NRF 2026 mudou no discurso do varejo?
Mudou de futurologia para execução: o “futuro” virou implementação no presente, acelerada por IA.
O que é Agentic Commerce?
É quando agentes de IA compram em nome do consumidor com base em critérios objetivos, sem intervenção humana.
Por que reputação vira “ativo técnico”?
Porque agentes avaliam marcas por dados objetivos (reviews, entrega, devolução, atendimento, menções), e isso determina recomendação/ignorância.
A transformação é mental (e o timing é agora)
As ferramentas estão disponíveis para todos — o diferencial é mentalidade. Simular antes de agir, pensar mais do que fazer e construir marcas autênticas para um mundo onde humanos e máquinas decidem juntos.
